Publicado em 21 de maio de 2015 Eventos TETO

Vocês já ouviram falar da TETO? E do próximo evento deles, a Coleta? O Conceito Uno fez uma entrevista com uma das voluntárias fixas no campo de Formação e Voluntariado da TETO, Marina, de 18 anos (também estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo) para saber mais sobre essa organização, sobre esse trabalho lindo e sobre essa experiência única.

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Como a TETO surgiu?

Bom, a TETO surgiu há 17 anos quando um grupo de jovens se propôs a recuperar uma Capela em uma cidade do Chile. Porém quando eles chegaram até o local, perceberam que o estado das casas dos moradores da região estava em uma situação muito pior a da Capela, como se eles pensassem: o pessoal precisava primeiramente de casas em bom estado. Com isso surge “UM TECHO PARA CHILE”! A preocupação com o outro e a força de vontade de mudar uma realidade injusta, foi o que fomentou jovens a formarem uma organização para lutar contra essa realidade a qual milhares de pessoas se encontram, e é isso o que move até hoje nós que vestimos a camisa!

Qual o maior objetivo da TETO?

Nós voluntários buscamos uma sociedade justa e sem pobreza! Essa é a nossa principal vertente e é o que nos move, acreditar que a pobreza pode ser superada, que ela é um estado e não uma condição: a pessoa está pobre, e não, é pobre!

Falando na prática, agimos em comunidades com o intuito de fomentar o desenvolvimento comunitário, ajudando-a a se “amadurecer”, além de promover a ação e consciência social, que nada mais é do que criar melhores cidadãos, pessoas mais dignas. Como voluntária, posso dizer que desde que vesti a camisa pela primeira vez mudei drasticamente, passei a enxergar a cidade de forma diferente, a tratar as pessoas de um outro modo.

Como é feita a seleção de famílias?

Primeiro é importante falar que a TETO não é só a construção de casas, na verdade atuamos em comunidades com o objetivo de atender suas necessidades. Uma das nossas maiores ações é a construção das casas (brinco dizendo que é o que a gente sabe fazer de melhor, risos). Bom, primeiro buscamos uma comunidade (essa é busca é feita via satélite, procuramos comunidade com massividade de barracos de madeira), depois tentamos entrar em contato para assim podermos fazer visitas. Nesse momento procuramos deixar claro pra comunidade o nosso trabalho e esperamos a resposta dos moradores se temos ou não a liberdade de começar a atuar nela, são diversos fatores que podem gerar um “sim” ou um “não”. Já imersos na comunidade, aplicamos enquetes com a maioria das famílias com o intuito de gerar um perfil da comunidade, dessa forma conseguimos conhecê-la melhor. É então quando identificamos os números de famílias que moram em barracos de madeira e, se permitido, começamos o processo de construção. Esse processo dura cerca de dois meses e é administrado pelos Chefes de Escolas (voluntários que foram convidados a organizarem a ação). Então, pegamos os cadastros feitos e passamos a conhecer melhor cada família, assim fazemos a seleção, não é por meio de sorteio (como muitos imaginam), mas sim por diversos fatores que fazem a família merecedora de ser beneficiada.

Só para deixar claro, a intenção nunca é fazer x números de casas em um final de semana e logo depois abandonar a comunidade, nosso trabalho continua sempre! Existe o que chamamos de Equipe de Comunidade, voluntários que trabalham no escritório com o cargo de acompanharem a comunidade, além de que fazemos sucessivas construções ate atingir a grande maioria das famílias com barracos.

De que são feitas essas casas?

A casa é feita de madeira pinus e chega já pré-moldada, por isso não existe pré-requisito para participar, além da idade.

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Como você ouviu falar da TETO  e como foi vivenciar esse experiência pela primeira vez?

Conheci a TETO através de redes sociais, uns amigos do facebook postaram fotos . Vi os posts, achei interessante e me inscrevi. Porém foi muito curioso, nenhum amigo meu se interessou/pode ir nessa construção (que foi a segunda da Bahia), então acabei indo sozinha e sem entender direito no que eu estava me metendo. Hoje em dia falo que foi a coisa mais certa que já fiz na vida, minha melhor decisão. Fazer parte da TETO pra mim hoje é rotina, faço porque gosto, porque me identifico, e, principalmente, porque a TETO me mostrou que eu posso mudar, eu posso mudar uma realidade que incomoda, que é triste. O que movimenta o voluntário é saber que, mesmo vendo tanta coisa ruim e desumana que existe, isso não é uma condição e não precisa ser assim! Desde que vesti a camisa da TETO tudo o que antes me faria desanimar, hoje me fomenta a lutar! A primeira construção é super curiosa: você não sabe onde está se metendo, não entende a proporção da coisa! A ficha só caiu quando voltei pra casa depois do segundo dia, depois eu vi que tudo foi real: eu de fato mudei a realidade de uma família! Dona Rose foi a grande mulher que conheci na minha primeira construção, ela nos contava que na casa a noite entrava rato, os dias de chuva eram também dias sem dormir… Mas ela também me mostrou a força de vontade dela, a garra durante toda a construção, sorriso mais sincero e motivador que já vi e o carinho que fez subir um lar em dois dias! 48 horas de trabalho intenso são recompensadas na entrega da casa, às 19h do domingo estávamos entregando o certificado de um novo lar pra Dona Rose, Michele e Milena, foi quando começou a chover e um voluntário pegou a mão de dona Rose a colocou o lado de fora da janela: é assim que você vai sentir a chuva agora, fora de casa! Falar disso me faz lembrar da energia que senti no dia, é algo muito forte e único! A construção acaba sendo tão gratificante para moradores, como para voluntários, a construção de 7 casas naquele final de semana mudou a vida de 7 famílias e, também, a vida de mais de 80 voluntários!

Sem título7Foto do arquivo pessoal.

O que significa a TETO pra você?

Transformação, esperança, alegria, vida! Durante as dinâmicas que acontecem na construção, a minha líder nos contou uma historinha e nos fez uma pergunta: pense que no caminho que você faz todos os dias existe uma árvore! Essa árvore está morrendo e você viu isso passando por ela, muitos podem ter observado, muitos não. O que você faz? É dever da prefeitura ir regar a árvore, você pode tentar procurá-los e esperar que façam algo, você pode falar pra várias pessoas que a árvore está morrendo, você pode continuar só passando e deixar que alguém faça algo, ou você pode regá-la! É isso o que a TETO significa pra mim, não existe resposta certa ou errada, mas alguma escolha deve ser feita e eu escolhi regar a árvore!

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Resolvemos postar a entrevista na íntegra, pela riqueza de detalhes e cuidado nas respostas de Marina. Somos muito gratas! Para quem quiser ajudar, nos dias 22, 23 e 24 de maio (sexta, sábado e domingo) irá acontecer a Coleta, que ocorre em todas as sedes do Brasil ao mesmo tempo, com o objetivo de divulgar a TETO, denunciar a pobreza e arrecadar doações. Esse ano, a meta de Salvador é chegar em 30 mil reais. Para se inscrever, é só entra no site tetocoleta.com.br, escolher a esquina e o turno que tem disponibilidade. E a próxima construção será em uma comunidade chamada Quingoma, de 24 a 29 de julho. As inscrições ainda não foram abertas, mas vocês podem acompanhar mais no site (links no final do post).

Participe também e faça a diferença! Não precisa ser estudante ou ser formado em Arquitetura e Urbanismo, apenas a vontade de ajudar!

Carolina Meireles


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TETO – http://www.techo.org/paises/brasil/

TETO Coleta – http://tetocoleta.com.br/

Facebook oficial- https://www.facebook.com/TETObra?fref=ts

Grupo da TETO Voluntário Bahia – https://www.facebook.com/groups/723968740968952/?fref=ts

OBS.: Fotos retiradas da página do Facebook da TETO. São fotos de todo o Brasil.