Publicado em 23 de setembro de 2016 Cultura, Destaques Bye bye também foi feito pra se dizer.

Oi!

Eu sei, esse papo é meio clichê mas não é você, sou eu. Sou eu que ando mais sem graça que a top model magrela da passarela. Sou eu que ando vendo, lendo, ouvindo palavras demais. Sou eu que ando precisando ficar um pouco mais quieta, ter um pouco mais de privacidade, me sentir menos clichê…

Entendo que pareça tudo tão de repente mas não foi. Uma hora foi o Gregório falando de amor e o mundo debatendo se era amor, cilada ou marketing. Eu achei bonito ver tanta gente na minha timeline falando de amor junto com ele. Eu achei bonita a gratidão das palavras dele por quem veio, esteve e foi – as vezes a gente é mesmo meio tapado e só percebe os nossos desperdícios quando já perdemos e isso me dá mais dó do que sentimento de vingancinha. Gosto muito mais de quem fica mas sei sentir saudades ou pelo menos gratidão de-por quem vai mas deixa um pouco de si. Desculpa, divaguei, talvez porque eu esteja indo e não queira te deixar chateada (o). Talvez porque eu me sinta em dívida com quem tem algo a dizer.

Depois veio o Domingos e a tristeza inundou. A eminência das nossas despedidas. O susto diante da rapidez com que tudo rui. A dor. E eu pensando: que será que estou fazendo dos meus dias, será que se eu perder alguém que eu gosto amanhã mesmo, essa pessoa irá sabendo o quanto é importante pra mim, será que se eu for amanhã eu irei achando que fui tudo que podia para quem eu queria etc mil dúvidas muitas noites mal dormidas, aquela coisa.

Aí veio a história do Brad e da Angelina. E eu fiquei achando que eu era a última das patetas. Tentando ser amorosa, falar de amor, viver com intensidade, não fazer joguinhos. E tomando uma, duas, três, etc etc etc na cara. E aí me deu um bode danado de ser eu. Eu sei, talvez seja a semana do inferno astral, talvez seja a proximidade dos vinte e oito, talvez seja a vida me chamando pra ser adulta-responsável em tempo integral. Só sei que eu queria ser qualquer outra pessoa, uma que pensasse e sentisse bem diferente. E aí talvez uma que fosse interessante e não assustasse as pessoas. Que alívio seria.

Aí eu li aquele livro, “O bicho da seda”, e achei aquele trecho que dizia que tem gente demais escrevendo e gente de menos lendo. E sabe, é isso. É legião urbana, é falar demais por não ter nada a dizer. É a Maria Rita “repetindo, repetindo, repetindo”. E aí o bodinho virou bodão e ocupou todo o espaço. Quem sou eu na fila do pão (sem falsa modéstia) pra falar tanto assim, hein?

Eu nunca gostei de ser mais uma. Tampouco gostei de quem se acha a última bolacha do pacote. Talvez eu tenha cansado de me repetir nas minhas causas perdidas. Talvez eu não esteja achando inspiração. Talvez eu não queira ser mais do mesmo, caricatura de mim, desinteressante ao ponto de ser previsível. E eu tenho me sentido assim e tem me incomodado. Quanto mais capturada pelo “eu te conheço” ou “eu conheço seu texto” mais restrita no meu processo de mudança me sinto.

E assim se foram seis meses escrevendo toda quinta-feira. E assim vivi seis meses desnudando muito de mim no meio das mais variadas palavras sobre os temas que fossem. Expurguei muitos fantasmas. Revi minhas ideias. Me comprometi. Escrevi. Escrevi. Escrevi muito. E assim recebi mensagens que me pediam conselhos. Interagi com as mais diversas pessoas. Discuti textos meus na mesa do bar. Fiz até uma amiga!

Ainda lembro da minha cara de pau ao mandar uns textos meus pra Gabi e Loli perguntando se elas não tinham interesse em ter uma pessoa falando de comportamento aqui no blog – coisa que elas toparam e para a qual me deram o mais absoluto espaço e apoio. Meu sincero obrigada por essa porta aberta para o meu delírio, porta que mostrou outros tantos caminhos.

Foco, eu sei, desculpa. Como eu disse: não, não é você escrita. Sou eu. Eu que ando mais do mesmo com meus livros e filmes e papos e encontros e desencontros e pensamentos e reflexões. Eu que ando atrás de silêncio sendo alguém que fala demais num mundo já muito preenchido por sons e opiniões – coisa que pra mim nunca foi questão de quantidade e sim de qualidade.

Como o Chico eu me despeço com a sensação de já ir tarde e ao mesmo tempo com saudade. Eu vou com a gratidão por tantas vezes que tive de me olhar diretamente antes de escrever alguma coisa, por todas as vezes que fiquei na vitrine esperando as críticas, por todas as vezes que alguém disse algo bonito sobre o que eu escrevi. Eu vou e fica a “obra”. E o carinho. E o meu muito obrigada a todo mundo que tirava seus minutinhos pra ler as minhas coisas e interagir comigo e me apoiar a continuar. Espero que haja sempre um bom texto (Eliane Brum! Gustavo Gitti! Ivan Martins! Contardo Calligaris! Etcts!) a espreita numa aba qualquer, que você possa ler numa quinta-feira. De coração.

Ps.|Não, eu não sei me despedir.