Publicado em 14 de julho de 2016 Cultura, Destaques All in

Teve aquele cara que disse que eu não sabia a hora de parar de tagarelar. Teve aquele outro que disse que todos os meus textos eram iguais, que eu era monotemática. Teve aquele ainda que disse que eu pensava demais. E aí teve você. Que sempre fica preocupado quando eu falo pouco. Que passa os dedos com suavidade em cima da minha tatuagem e diz que nunca viu alguém ser tão amorosa quanto eu. Que disse que todo gênio é um pouco maluco quando a gente tava no meio da livraria e eu tive uma ideia de texto por causa de um dvd e te contei.

Você, que diz que eu não posso querer ser todas as princesas da Disney ou todos os personagens fofinhos dos filmes, mas se acaba de rir da minha cara de criança que aprontou e diz que eu só posso ter saído de um desenho animado. Você que ao ver eu me queixando que estava gorda me carregou no estacionamento do shopping com um braço só pra eu parar de mimimi. Você que fez um jantar completo para as minhas amigas mesmo sem ter dormido nada durante a noite e não me deixou lavar sequer uma colher para te ajudar.

Você que me pergunta por onde andei até aparecer na sua vida e briga comigo por eu ter demorado tanto.  Que manda flores. Que me liga quando eu tô no táxi e só desliga quando eu chego em casa, para ter certeza que cheguei bem. Que não se assusta de usar o emoticom de coração megalomaníaco do whatsapp. Que ri das minhas dancinhas e das minhas piadas ruins. Que me acorda pra me dar um beijo porque eu dormindo sou bonitinha demais.  Você que faz todas as minhas vontades (mas diz que ninguém pode saber senão vão dizer que você é mandado).

Você que entendeu que “chocolate” é a palavra mágica. Você que aceita todos os apelidos malucos que eu invento. Você que fez eu me (re)acostumar a falar no telefone.  Você que odeia tirar foto, mas deixa eu tirar mil fotos nossas. Você que me abraça e fala as coisas mais bonitas do mundo. Você que diz que a curva da minha cintura foi estrategicamente desenhada para ser o lugar de você repousar sua mão. Você que com o seu jeito faz eu me sentir tão querida.

Você que sabe que eu estou indo embora. E que são quase dois mil quilômetros. E que me puxa pela cintura e me abraça forte e diz que sabe que vai ser tudo difícil, mas que você promete que vai até o fim porque você quer que tudo com a gente seja. E eu sinto culpa por te deixar triste e ao mesmo tempo sinto tanto orgulho da sua coragem que me vejo corajosa também.

Eu deixo a razão na gaveta. Eu sento na mesa de poker. Eu aprecio a partida. Eu vejo as cartas que tenho na mão. Eu não sei o que a vida me reserva, não sei as cartas dos outros jogadores, não conheço sequer as suas cartas, amor, mas eu confio nas minhas. Se a aposta for você, pode ter certeza, eu coloco todas as fichas e pago pra ver no que vai dar. All in, baby.