Publicado em 7 de setembro de 2015 Eventos Agenda cultural

Nesse fim de semana, fiz uma visita à parte antiga da cidade com o objetivo de ver algumas exposições bem interessantes que estão acontecendo, as quais deixo como dica para vocês aproveitarem. Anota aí:

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A exposição é em homenagem a Lina Bo Bardi, italiana naturalizada brasileira, contando um pouco da sua vida e influências. Ela é mais conhecida pelo ramo da arquitetura (foi a arquiteta que projetou o MASP), contudo também foi uma escritora, colecionadora, cenógrafa e figurinista.

Em Salvador, ela foi responsável pela restauração do Solar do Unhão e pela criação do Museu de Arte Moderna – conhecido como MAM, no mesmo local – que tinha o objetivo de incentivar e expor a produção cultural do Nordeste; a casa do Chame-Chame, um de seus raros projetos para particulares, antes localizada no Jardim Apipema, mas demolida em 1984 devido a especulação imobiliária; além de seu projeto na Ladeira da Misericórdia, onde antes funcionava o restaurante Coati, obra única e totalmente orgânica.

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Acima, temos maquetes do MAM e da antiga casa do Chame-Chame.

Na exposição, contamos com alguns de seus textos publicados em sua coluna no jornal, desenhos utilizados nas próprias colunas ou arquitetônicos (alguns exibidos em uma tela interativa e outros em um grande caleidoscópio), plantas de projeto originais, maquetes de seus principais projetos em Salvador, sua famosa cadeira chamada Girafa e um espaço para exibição de documentários ao seu respeito. Ela tem como objetivo mostrar sua importância não somente como arquiteta, mas também como defensora da cultura, da sabedoria popular e da educação.

Caleidoscópio ao qual podemos ver alguns desenhos de Lina.

Caleidoscópio ao qual podemos ver alguns desenhos de Lina.

Cadeira Girafa, projetada pela própria Lina.

Cadeira Girafa, projetada pela própria Lina.

A curadoria é do artista visual Joãozito e da arquiteta Carla Zollinger e a exposição está ocorrendo no Teatro Gregório de Mattos (ao lado do Glauber Rocha). Ela estava prevista para encerrar em agosto, contudo o prazo foi estendido até essa semana. Não deixem de conferir!

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Alguns detalhes da exposição.

PS.: Para os estudantes de arquitetura, os guias que estão trabalhando na exposição dão ótimas dicas do que não se pode deixar passar na expo, além de serem muito bem informados.

Caixa Cultural

A Caixa Cultural (localizada na Carlos Gomes) está sediando duas exposições nesse momento, uma sobre os “100 anos da Avenida Sete” e a outra chamada “Veins”, de fotografia.

“Veins” possui obras do sueco Anders Petersen e do dinamarquês Jacob Aue Sobol, dois fotógrafos conhecidos internacionalmente. As cores cinza e vermelho-sangue das paredes dão o tom a exposição, que é composta somente por fotos em preto e branco, focando apenas no conteúdo das imagens. Um conteúdo que poderia ser classificado como polêmico e forte, tanto que mesmo as pessoas mais acostumadas ao nu artístico se impressionam. Isso ocorre porque não são fotos ensaiadas: são imagens que mostram a realidade que nos cerca e muitas vezes não queremos enxergar, eternizadas em seu trabalho. A exposição “Veins” está em cartaz até o dia 13 de setembro (de terça à domingo e excepcionalmente hoje – 7 de setembro), das 9h às 18h. PS.: Faixa etária: 16 anos.

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Já a exposição “100 anos de Avenida Sete” conta um pouco da história da nossa cidade, mostrando o antes, o durante e o depois da construção da avenida e, consequentemente, as transformações que ocorreram a partir de sua realização. Foi algo polêmico, devido a desapropriação de 300 imóveis (alguns arquitetônica e historicamente importantes) e seu elevado custo. A exposição traz uma nostalgia até para quem não viveu na época de sua construção, apresentando uma Salvador diferente da que conhecemos hoje através de fotos (acompanhando os textos nas paredes ou nos monóculos pendurados em uma das passagens) e notícias.

Foto em monóculo da área do relógio de São Pedro.

Foto em monóculo da área do relógio de São Pedro.

Solar Ferrão

O Solar Ferrão é um espaço pouco conhecido pelos soteropolitanos. É um casarão que foi construído entre os séculos XVII e XVIII e fica no Pelourinho (Rua Gregório de Mattos, número 45) e, assim como todas as construções da área, é um edifício tombado pelo IPHAN. Atualmente, é uma galeria que abriga três exposições: a de Arte Africana de Claudio Masella, a de Arte Popular e a de Plásticas Sonoras, de Walter Smetak.

Quero dar um destaque especial a última, que tem como objetivo desconstruir a ideia que temos de instrumentos musicais quanto a sua forma e ainda assim ser possível obter sons igualmente bons. Não esperamos nada menos de Smetak, que influenciou grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé.

Não foi permitido fotografar as exposições, então trouxe algumas fotos encontradas no site oficial.

Entrada do Solar.

Entrada do Solar.

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A galeria está aberta de terça a sexta, das 12h às 18h e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h.


Espero que vocês tenham gostado das dicas! A quem for conferir as exposições, não deixe de aproveitar e passear pelo centro antigo, porque sempre vale a pena!

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Beijos,

Carolina.